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Como a IA e o Vibe Coding estão transformando o mercado de software

Foto do escritor: Blog Editorial
Blog Editorial
7 de set.
7 min de leitura
Infográfico neon sobre o futuro do software: SaaS, IA, agentes de IA e automação total em cidade digital.

Como a IA e o Vibe Coding estão transformando o mercado de software


Como a IA e o Vibe Coding estão transformando o mercado de software? Essa é uma das perguntas que ganhou força no mercado de tecnologia com o avanço da inteligência artificial generativa, dos agentes de IA e do chamado Vibe Coding.

Durante anos, o modelo Software as a Service (SaaS) transformou a maneira como empresas utilizam tecnologia. Em vez de comprar e instalar programas localmente, organizações passaram a contratar sistemas pela internet, geralmente por assinatura.

Agora, porém, uma nova transformação está acontecendo.

A inteligência artificial está começando a mudar não apenas como o software é desenvolvido, mas também como ele é utilizado, vendido e precificado.

A tendência, portanto, não aponta simplesmente para o desaparecimento do SaaS. O que está surgindo é uma possível reestruturação do modelo tradicional de software.

O que está acontecendo com o SaaS?

O modelo SaaS continua sendo extremamente relevante, mas enfrenta uma mudança estrutural.

Uma das principais questões está no modelo tradicional de cobrança por usuário.

Durante anos, muitas empresas utilizaram uma lógica relativamente simples:

mais funcionários → mais usuários → mais licenças → maior receita para a empresa de software.

A inteligência artificial começa a alterar essa lógica.

Se um agente de IA consegue executar uma tarefa que anteriormente exigia a interação de vários funcionários com diferentes sistemas, o número de usuários humanos deixa de ser necessariamente o melhor indicador de valor.

A McKinsey aponta justamente para essa transformação: à medida que softwares passam de ferramentas que ajudam pessoas a sistemas que também executam e orquestram tarefas, modelos de cobrança baseados em consumo ou resultados podem ganhar espaço.

Isso pode levar a uma mudança importante:

SaaS baseado em usuários → SaaS baseado em uso, consumo ou resultado.

SaaS não está necessariamente morrendo

É importante separar tendência de realidade.

Existe uma forte discussão sobre o chamado “SaaSpocalypse”, expressão utilizada para descrever os temores de que a IA pudesse reduzir drasticamente o valor das empresas tradicionais de software.

Mas os acontecimentos recentes mostram um cenário mais complexo.

Empresas tradicionais de software continuam investindo em inteligência artificial e encontrando novas formas de crescimento.

A própria Salesforce, por exemplo, vem incorporando agentes de IA ao seu portfólio, enquanto outras empresas do setor também estão adaptando seus produtos para a nova realidade.

A Reuters destacou em setembro de 2026 uma mudança no sentimento do mercado: depois do temor inicial de que a IA destruiria o setor de software, investidores passaram a enxergar a inteligência artificial também como uma oportunidade para essas empresas.

Isso sugere uma conclusão importante:

o SaaS provavelmente não desaparecerá; ele deverá mudar.

De SaaS para “Software como Serviço + IA

Diagrama futurista de IA integrando SaaS tradicional a agentes autônomos, APIs seguras e dados em tempo real.

O próximo estágio pode ser uma combinação entre:

SaaS + Inteligência Artificial + automação + agentes de IA + dados.

Imagine um sistema financeiro tradicional.

Hoje, um funcionário pode entrar no sistema, consultar dados, gerar um relatório e tomar uma decisão.

Em um sistema mais orientado por IA, o processo pode evoluir para:

Dados → IA analisa → agente identifica problema → sistema executa uma ação → usuário acompanha o resultado.

O software deixa de ser apenas uma ferramenta utilizada pelo funcionário.

Ele passa a participar da execução do trabalho.

Essa é uma das principais transformações que podem definir a próxima geração de sistemas empresariais.

E onde entra o Vibe Coding?

É justamente nesse cenário que aparece o Vibe Coding.

O termo ganhou força a partir de 2025 e descreve uma abordagem na qual o usuário utiliza linguagem natural para orientar ferramentas de inteligência artificial na criação de software.

Em vez de escrever manualmente todo o código, a pessoa pode explicar o que deseja:

“Crie um sistema para controlar estoque, registrar entradas e saídas e mostrar um dashboard de vendas.”

A IA pode então gerar parte significativa da aplicação.

Ferramentas e agentes de programação baseados em IA estão tornando esse processo cada vez mais acessível.

A Gartner vem acompanhando o fenômeno e destaca que o Vibe Coding pode acelerar prototipagem e desenvolvimento, mas também exige governança, segurança, integração, testes e controle do ciclo de vida do software.

O Vibe Coding pode ameaçar o SaaS?

Mulher em home office, falando ao microfone e apontando para telas com código e layouts de app, em ambiente aconchegante à noite.

Em alguns casos, sim. Mas não significa que todo SaaS será substituído.

Imagine uma pequena empresa que precisa de um sistema extremamente específico.

No passado, ela poderia precisar:

  1. contratar um desenvolvedor;

  2. contratar uma empresa de software;

  3. comprar um SaaS;

  4. adaptar processos ao sistema existente.

Com ferramentas de IA, uma alternativa começa a aparecer:

criar internamente uma aplicação personalizada.

Isso pode ser especialmente interessante para sistemas simples, ferramentas internas, dashboards, protótipos e automações.

É justamente aí que o Vibe Coding pode pressionar determinados segmentos do mercado SaaS.

A Reuters apontou recentemente que ferramentas de Vibe Coding aumentam a possibilidade de empresas criarem aplicações personalizadas com menor custo, criando uma ameaça potencial para alguns fornecedores tradicionais de software.

Mas existe um problema: criar software é diferente de operar software

Essa é uma das principais questões da discussão.

Criar rapidamente uma aplicação é apenas uma parte do problema.

Uma empresa precisa pensar também em:

  • segurança;

  • autenticação;

  • banco de dados;

  • backups;

  • escalabilidade;

  • disponibilidade;

  • LGPD;

  • integração com outros sistemas;

  • manutenção;

  • atualizações;

  • governança;

  • suporte;

  • auditoria.

Por isso, o Vibe Coding pode ser excelente para criar um protótipo em poucas horas, mas isso não significa automaticamente que a aplicação esteja pronta para operar processos críticos de uma grande organização.

A Gartner alerta justamente para os riscos de segurança, governança e dívida técnica associados ao uso indiscriminado dessas ferramentas.

O novo profissional de tecnologia

Escritório moderno com equipes e robôs IA colaborando; telas mostram dados e textos como Automação Empresarial e Centro de Operações.

Outra transformação importante está acontecendo no mercado de trabalho.

O desenvolvedor do futuro pode não ser apenas alguém que escreve código linha por linha.

Ele também precisará saber:

definir problemas + arquitetar soluções + trabalhar com IA + validar código + testar + proteger sistemas + entender negócio.

A Gartner prevê uma evolução para equipes de engenharia menores e mais orientadas por IA, com profissionais multidisciplinares utilizando agentes para acelerar diferentes etapas do desenvolvimento.

Isso não significa que programadores desaparecerão.

Significa que o valor do conhecimento técnico pode migrar parcialmente da escrita manual de código para arquitetura, análise, validação, segurança e tomada de decisão.

Uma mudança ainda maior: empresas poderão criar mais software próprio

A inteligência artificial também reduz algumas das barreiras para uma empresa desenvolver ferramentas internas.

Imagine uma empresa de logística.

Ela pode utilizar:

Excel + SQL + Power BI + ERP + SaaS + IA.

Mas também pode criar pequenas aplicações específicas para:

  • controle de entregas;

  • acompanhamento de motoristas;

  • análise de fretes;

  • controle de estoque;

  • indicadores;

  • automação de relatórios;

  • atendimento interno.

No passado, desenvolver cada uma dessas soluções poderia exigir uma equipe especializada.

Com IA e ferramentas de desenvolvimento assistido, algumas dessas aplicações podem se tornar muito mais rápidas de construir.

Isso não significa que todas as empresas passarão a desenvolver seus próprios sistemas.

Mas a fronteira entre “comprar software” e “construir software” tende a ficar menos rígida.

O futuro pode ser híbrido

O cenário mais provável não é:

SaaS desaparece → empresas fazem tudo internamente.

É algo mais complexo.

Uma empresa poderá utilizar:

ERP SaaS


CRM SaaS


Cloud


Banco de dados


IA


Agentes


Aplicações internas criadas com IA


APIs


Ferramentas de análise de dados.

Ou seja, o futuro provavelmente será um ecossistema de software, e não uma simples substituição de uma tecnologia por outra.

As principais tendências do novo mercado SaaS

1. Agentes de IA

Uma das maiores tendências é o desenvolvimento de agentes capazes de executar tarefas em vez de apenas responder perguntas.

O software começa a deixar de ser apenas uma interface para o usuário e passa a atuar como um executor de processos.

2. Cobrança por consumo

O modelo de assinatura por usuário pode continuar existindo, mas novas formas de monetização devem ganhar espaço.

Entre elas:

uso + consumo + tarefas executadas + resultados gerados.

A McKinsey identifica justamente a expansão de modelos de cobrança baseados em consumo como uma resposta à economia da IA.

3. Software AI-native

Em vez de simplesmente adicionar um chatbot a um produto antigo, novas empresas estão construindo sistemas nos quais a inteligência artificial está presente desde a arquitetura inicial.

Esse conceito é conhecido como AI-native software.

4. Vibe Coding

O desenvolvimento de software tende a ficar mais acessível.

Empreendedores, analistas, profissionais de negócio e outros usuários poderão criar protótipos e pequenas aplicações utilizando linguagem natural.

5. Equipes menores

A IA pode permitir que equipes menores produzam mais software.

A Gartner já aponta para a formação de equipes de engenharia “tiny teams”, nas quais a IA aumenta a capacidade de profissionais multidisciplinares.

6. Governança de IA

Quanto mais pessoas puderem criar aplicações utilizando IA, maior será a necessidade de governança.

Empresas precisarão controlar:

  • quais ferramentas podem ser utilizadas;

  • quais dados podem ser enviados para IA;

  • quem pode criar aplicações;

  • como o código será revisado;

  • como vulnerabilidades serão identificadas;

  • como aplicações serão mantidas.

7. Dados como vantagem competitiva

Se criar software fica mais barato, o diferencial passa a estar cada vez mais relacionado aos dados, processos, conhecimento do negócio e capacidade de execução.

A tecnologia pode se tornar mais acessível.

Os dados proprietários e o conhecimento sobre o negócio podem se tornar ainda mais importantes.

O SaaS pode até ficar mais forte

Existe uma aparente contradição.

A IA pode ameaçar alguns softwares, mas também pode tornar outros ainda mais importantes.

Um sistema empresarial possui muito mais do que uma interface.

Ele pode concentrar:

  • dados históricos;

  • regras de negócio;

  • permissões;

  • integrações;

  • auditoria;

  • segurança;

  • processos;

  • compliance.

É justamente por isso que grandes plataformas empresariais podem continuar relevantes mesmo diante do avanço da IA.

A SAP, por exemplo, defende que softwares empresariais críticos continuam tendo valor justamente pela combinação entre dados, processos, governança e integração, enquanto a empresa amplia sua estratégia de IA.

O que pode acontecer nos próximos anos?

A transformação pode ser resumida em três fases.

Ontem

Software como ferramenta

O usuário entra no sistema e executa o trabalho.

Hoje

Software + IA

O sistema ajuda o usuário a executar o trabalho.

Próxima etapa

Software + IA + agentes

O sistema passa a executar uma parte crescente do trabalho.

Essa mudança pode transformar a própria definição de software.

Em vez de perguntar:

“Quantas pessoas utilizam meu sistema?”

as empresas poderão começar a perguntar:

“Quanto trabalho o meu sistema consegue executar?”

Essa diferença parece pequena, mas pode alterar profundamente os modelos de negócio do setor.

SaaS não acabou. O modelo está sendo reinventado.

A discussão sobre o fim do SaaS talvez esteja fazendo a pergunta errada.

A questão mais importante não é:

“O SaaS vai morrer?”

Mas:

“O que será considerado SaaS na era dos agentes de IA?”

O modelo tradicional baseado exclusivamente em telas, usuários e assinaturas provavelmente sofrerá pressão.

Ao mesmo tempo, softwares que possuem dados importantes, integração, segurança, governança e capacidade de executar processos podem ganhar ainda mais relevância.

O Vibe Coding adiciona outra camada a essa transformação: criar software está ficando mais fácil.

Quando criar software fica mais barato, o diferencial deixa de estar somente no código.

Passa a estar também na capacidade de entender o problema, organizar dados, desenhar processos, garantir segurança e transformar tecnologia em resultado.

Por isso, o futuro provavelmente não será SaaS versus IA.

Será:

SaaS + IA + agentes + dados + automação + desenvolvimento assistido por IA.

E essa combinação pode representar uma das maiores transformações do mercado de software desde a própria popularização do modelo SaaS.

 
 

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